A espiritualidade dos casais em segunda união
A Igreja não quer discriminar nem punir os casais em segunda união, mas sim, oferecer-lhes um caminho espiritual – pastoral adaptado à sua situação. Este caminho espiritual-pastoral é apontado claramente pela “Familiaris Consortio”. Este caminho pode ser chamado e é de fato um caminho espiritual-pastoral, muito rico de frutos espirituais de vida cristã, mesmo que o “status permanente” de segunda união e sem retorno seja uma situação “irregular”.
A Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 1981, de João Paulo II, no n. 84, exorta os casais divorciados a participar de um caminho de vida cristã que deve consistir em:
“Ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência... que se resume em "perseverarem na oração, na penitência e na caridade".
A Exortação Apostólica “Sacramentum caritatis”, 2007, de Bento XVI, no n.29, reafirma o convite de cultivar, quanto possível: “Um estilo cristão de vida, através da participação da Santa Missa, ainda que sem receber a comunhão, da escuta da Palavra de Deus, da adoração Eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos”.
1. A comunhão com a Palavra de Deus
Escutar é algo mais que ouvir. É atender ao que se diz. É ir assimilando e tornando pessoal o que foi dito. É algo ativo, não passivo. É uma abertura a Deus que a eles dirige a Sua Palavra. Por intermédio de Isaías ou de Paulo fala-lhes aqui e agora. Algumas vezes, esta Palavra os consola e os anima. Outras, julga suas atitudes e desautoriza seu estilo de vida, convidando-os para a conversão. Sempre os ilumina, os estimula e os alimenta.
A Palavra que Deus lhes dirige é sobretudo uma Pessoa: o Seu Verbo, a Sua Palavra, Jesus Cristo. Ele não se dá somente no Pão e no Vinho, mas está realmente presente na Palavra que nos é proclamada e que escutamos. Também a nós o Pai continua a dizer: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”.
A leitura da Sagrada Escritura, acompanhada pela oração, estabelece um colóquio de familiaridade entre Deus e o homem, pois a Ele falamos quando rezamos, a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (DV 25). Este colóquio torna-se mais intenso pela “Lectio divina”, ou seja pela leitura meditada da Bíblia, que se prolonga na oração contemplativa. A Lectio é divina, porque se lê a Deus na Sua Palavra e com o Seu Espírito, pode ajudar os casais em segunda união na consecução de uma grande familiaridade não só com a Palavra, mas com o mesmo Deus.
2. A visita e a adoração ao Santíssimo Sacramento:
Jesus, sendo vivo e presente no Sacrário, pode ser visitado e adorado. Ele espera, ouve, conforta, anima, sustenta e cura. Por conseguinte, a visita e a adoração ao Santíssimo é um verdadeiro e íntimo encontro entre o visitante e o Visitado, que é Jesus. A visita e a adoração são uma escolha pessoal do visitante, e, acima de tudo, um ato de amor para com o Visitado. A simples visita ao Santíssimo transforma-se em adoração, que é o ponto mais alto desse encontro.
Os casais em segunda união são chamados e convidados para serem os adoradores do Santíssimo através da prática tradicional da hora santa, que muito os ajudará na espiritualidade, seja do grupo como também do próprio casal. A prática frequente da hora santa não é um opcional, por isso não se pode deixar facilmente de lado, pois ela é necessária para a perseverança.
3. A visita a Maria Santíssima: um conforto para o seu povo.
Se o próprio Jesus, moribundo na cruz, deu Maria como Mãe ao discípulo: “Mulher, eis aí teu filho” e a você discípulo como mãe: “eis aí, tua mãe!” (João 19, 26-27), é bom e recomendável que o casal em segunda união não tenha medo em fazer esta visita de carinho para receber conforto, força e consolação de sua Mãe. Essa visita pode ser feita numa capela dedicada a Virgem Maria ou em casa junto com a família ou na intimidade do seu quarto. Pensando nisso, é bom e confortável que o casal em segunda união não se esqueça de visitar, quantas vezes puder, Maria Santíssima.
Visitar Maria, a Mãe de Jesus, é ir ao seu encontro sem reservas, é entregar-se de coração a um coração que não tem limites para amar. Nossa Senhora em Medjugorie disse aos videntes e a nós seus filhos: “Se soubésseis quanto vos amo choraríeis de alegria”. Maria nos ama muito, como filhos queridos. O que ela mais deseja é ver seus filhos deixarem-se AMAR POR ELA. O seu desejo é o de seu Filho: salvar a todos. A Santíssima Virgem nos espera todos os dias, e ela sabe que quanto mais perto estivermos dela, mais perto ficaremos de Jesus, pois a sua meta é a de nos levar a Jesus.
4. Perseverança na Oração
O casal em segunda união é convidado para perseverar na oração. A oração pode ser pessoal, pode ser oração como casal ou como oração da família com os filhos, ou oração comunitária com os outros casais ou com outros fiéis.
5. Participação da Santa Missa: um encontro de amor.
O casal de segunda união, como todo bom cristão, considerando este amor infinito de Jesus, deve participar da Santa Missa com amor fervoroso, de modo particular no momento da consagração, pois é nesse momento que Jesus é vivo e presente.
Bento XVI, em recente discurso ao clero de Aosta, valoriza a participação dos casais recasados da Santa Missa mesmo sem a comunhão Eucarística. A esse respeito o Papa fez este lindo e confortável comentário:
“Uma Eucaristia sem a comunhão Eucarística não é certamente completa, pois lhe falta algo essencial. Todavia, é também verdade que participar na Eucaristia sem a comunhão Eucarística não é igual a nada, é sempre um estar envolvido no mistério da Cruz e da ressurreição de Cristo. É sempre uma participação no grande Sacramento, na dimensão espiritual, pneumática, e também, eclesial, se não estreitamente sacramental.
E dado que é o Sacramento da Paixão de Cristo, Cristo sofredor abraça de modo particular estas pessoas e comunica-se com elas de outra forma; portanto, elas podem sentir-se abraçadas pelo Senhor crucificado que cai por terra e sofre por elas e com elas.
Por conseguinte, é necessário fazer compreender que mesmo que, infelizmente, falte uma dimensão fundamental, todavia tais pessoas não devem ser excluídas do grande mistério da Eucaristia, do amor de Cristo aqui presente. Isso parece-me importante, como é importante que o pároco e a comunidade paroquial levem tais pessoas a sentir que, se por um lado, devemos respeitar a indissolubilidade do sacramento e, por outro, amamos as pessoas que sofrem também por nós. E devemos também sofrer juntamente com elas, porque dão um testemunho importante, a fim de que saibam que no momento em que se cede por amor, se comete injustiça ao próprio Sacramento, e a indissolubilidade parece cada vez mais menos verdadeira”.
O mesmo Sumo Pontífice também recorda que o sofrimento faz parte da vida humana e no caso dos casais em segunda união é “um sofrimento nobre”. O sofrimento é considerado, de uma certa maneira, como o oitavo sacramento.
Outros meios que auxiliam os casais em segunda união viver o caminho espiritual-pastoral:
A). Formação Pessoal e de Casal
É necessário para eles, como para todos os casais, uma formação pessoal e uma formação como casal, podendo participar da formação e da catequese que a paróquia ou outra realidade propõe para todos.
B). Grupos de Oração
O casal em segunda união tem a possibilidade de participar de grupos de famílias e de grupos de oração para a sua formação, como também para se ajudar mutuamente.
C). Obras de Caridade
O casal em segunda união, como todo cristão, deve empenhar-se nas obras de caridade organizadas pela paróquia ou por outras entidades, como voluntários... lembrando-se de que “a caridade cobre uma multidão dos pecados” (I Pedro 4,8).
D). Praticar a Justiça
O casal em segunda união pode e deve participar das iniciativas em favor da justiça.
E). Diálogo em família
O casal em segunda união como família procure viver o diálogo com os vários membros para que haja paz e colaboração; aceite fazer a vontade de Deus, sobretudo quando ela é difícil ou quando o sofrimento bater à sua porta; abra o seu coração aos parentes e aos vizinhos, aos colegas... especialmente em necessidade.
F). Viver no cotidiano a vida cristã
O casal em segunda união procure viver de maneira cristã a vida cotidiana no trabalho, em casa, no relacionamento com os vizinhos e com a sociedade: este é o caminho que os aproxima da salvação.
G). Um caminho espiritual valorizando a família.
O caminho de vida espiritual, comum a todos os casais, levará certamente o casal em segunda união a valorizar a importância da família também para o bem da sociedade; a valorizar a própria casa como lugar onde se constrói o Reino de Deus e se opera o bem imitando a Família de Nazaré.
A Família

À Família é o nosso fundamento, a base do nosso futuro, mas é reconhecido que a família unidade base da sociedade, enfrenta, desde algum tempo, problemas complexos, que têm afetado a sua estrutura, tais problemas ou desajuste familiar ocorre por motivos mais diversos tais como: o desrespeito de cada uma das pessoas em relação a outra, inclusive no que tange a privacidade; à ausência do diálogo; a desmotivação da vida à dois e a FALTA DE AMOR, este último tem contribuído, em larga escala, para a dissolução da estrutura familiar.
Ao modificar o entendimento dessa palavra divina chamada AMOR, que está acima da compreensão das últimas gerações dominadas, inteiramente, pelos sentidos materialistas, gerações que se distanciam das coisas do espírito, de onde nascem a amizade, a ternura, o afeto, e que engrossa, em seu processo de tornar-se puro, o amor pleno, aquele que é engrandecido pelo sentimento, e não pelo instinto. Se dentro do seio familiar, aplicarmos o nosso mais valioso curso de renunciação e fraternidade e, quando praticarmos o ensinamento do amor puro, com quem convive conosco e nos partilha a mesa através do calor do mesmo sangue, então estaremos inteiramente habilitados para seguir com Jesus no apostolado do bem à humanidade inteira, pois toda família se beneficia de um ambiente agradável e cheio de amor.
Não podemos esquecer que a educação dada pela família, através dos padrões de ética, de moral e de religiosidade é fundamental para sua formação moral, pois uma criança que cresce num ambiente familiar onde se respira o amor, aprende a amar com toda a naturalidade do mundo. Um jovem, que vê nos pais um exemplo a ser seguido, encontra outras pessoas e, naturalmente, dá um bonito testemunho de amor, assim quem aprende a respeitar o semelhante, NÃO MATA, NÃO ESTUPRA e nem comete VIOLÊNCIA CONTRA O PRÓXIMO. Temos que deixar claro, que a falta da educação familiar entre outros males, tem gerado a falta de respeito ao próximo e a própria vida e como conseqüência, a qualidade de vida da sociedade tem descido às raias do absurdo de assistirmos a violência gratuita tirando as vidas dos jovens. Será através da organização familiar que a sociedade conterá os vícios das drogas, a maternidade antecipada e o avanço da criminalidade, só assim os valores da instituição familiar, através das quais será possível resgatar a estabilidade da união, a paternidade responsável e a paz social, pois a FAMÍLIA É A ESPERANÇA DA HUMANIDADE, e, todos aqueles que a valorizarem terão mais condições de serem felizes na vida. Isto porque, sem a estrutura familiar reorganizada, não se conseguirá melhorar a qualidade de vida das pessoas, nem diminuir essa criminalidade que tanto nos assusta.
Mazenildo Feliciano Pereira
Divórcio...
Meus amigos separados não cansam de perguntar como
consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher.
As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não
perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com
o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo.
Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem
conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo.
Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou
um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso,
minha resposta é mais ou menos a que segue:
Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para
escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por
uma eternidade.
Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento - a
única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher.
Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque
ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu.
O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois
dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se
acalmar e partir de novo com a mesma mulher.
O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar
um casamento novo.
Isso exige alguns cuidados e preocupações que são
esquecidos no dia-a-dia do casal.
De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De
tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a
cortejar, seduzir e ser seduzido.
Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto
tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como
se seu par fosse um pretendente em potencial?
Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos
eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção?
Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você
depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem
10 kg em um único mês, por que vocês não podem conseguir
o mesmo?
Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um
casamento novo, você certamente passaria a freqüentar
lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou
apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte
de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que
você se separe de seu cônjuge.
Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou o
mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo
batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas
vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada,
é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada
decoração.
Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é
justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se
encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um
novo circuito de amigos.
Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso.
Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar
acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se
esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos
custos necessários para renovar um casamento.
Mas se você se separar, sua nova esposa vai querer novos
filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a
pensão dos filhos do casamento anterior.
Não existe essa tal “estabilidade do casamento”
nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também,
seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos.
A melhor estratégia para salvar um casamento não é
manter uma “relação estável”, mas saber mudar
junto.
Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se,
interessar-se por coisas que jamais teria pensado em fazer
no inicio do casamento. Você faz isso constantemente no
trabalho, porque não fazer na própria família?
É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.
Portanto descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao
seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo
interessante par.
Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão
de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de
como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas
e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando
é necessário se casar de novo, mas tente fazê-lo sempre
com o mesmo par.
Como vê, NÃO EXISTE MÁGICA - EXISTE COMPROMISSO,
COMPROMETIMENTO E TRABALHO - é isso que salva casamentos e
famílias.”
Texto de Arnaldo Jabor.
Espiritualização Reunião 28.04.09
É difícil discernir o que fazer a cada instante
Por Dijanira Silva - Missionária da Comunidade Canção Nova, em Fátima
A vida segue seu curso, cada dia traz suas novidades e o tempo não para. Constantemente nos deparamos pensando no que deveríamos ter feito e chegamos à constatação de que faltou tempo! Será que isso é normal? Ou será que estamos inventando coisas de mais para fazermos, preenchendo tanto o tempo que falta espaço para viver?
Dizem os grandes sábios que o segredo para uma vida feliz é viver bem cada coisa a seu tempo. Mas em dias como os que vivemos, nos quais tudo é imediato e as oportunidades de escolha são sempre vastas, é tarefa um tanto difícil discernir o que fazer a cada instante.
Eu, particularmente, gosto de planejar o meu dia de acordo com o que preciso fazer, seja no trabalho, seja em casa ou até mesmo no lazer. Mas o fato é que agindo assim, também corro o risco de controlar meu tempo nos deveres e aprisionar minha liberdade de ser livre e viver naturalmente.
Basta alguma coisa sair fora dos planos que me vejo bastante contrariada. É como se eu me atropelasse nos meus próprios passos e o tempo fugisse de minhas mãos em segundos. Não é fácil lidar com o tempo e a velocidade da vida, aliás, é sabedoria que requer aprendizado, arte e disposição! Eu quero aprender e você?
Outro dia, falei sobre isso durante um programa que apresento na Rádio Canção Nova e fiquei admirada com a repercussão. Os ouvintes reagiram afirmando serem cúmplices da mesma luta. Talvez, seja mesmo coisa própria da nossa geração, que em parte é movida pela tecnologia do imediatismo.
Podemos viver sem pensar sobre coisas assim, mas considero importante refletir na vida que estamos levando... Hoje, parei para fazer isso perguntando-me: Será que a vida está indo rápida demais ou sou eu que estou meio lenta? Talvez eu precise acertar o passo. Sou mais do que aquilo que eu faço. Mas o ser e o fazer são realidades distintas que precisam de harmonia.
Já ouvi alguém dizer: “Sua cabeça até pode ser uma máquina, mas seu coração não!” Talvez esteja aí a razão dos descompassos do momento. É que o coração não combina com a pressa, ele tem seus mistérios, exige calma e arte para lidar com ele. É sensível, e o sentimento não combina com imediatismos. Para conquistar um bom emprego, a competência é conjugada com a agilidade, mas para conquistar um coração não é assim... Acredito que seja essa a razão do vazio que facilmente contemplamos nas pessoas que valorizam somente o poder. Quando nos interessamos de mais por “aquilo que queremos”, falta-nos tempo para nos interessarmos por “aqueles que queremos”. E aí o resultado quase inevitável são os atropelos e o vazio no fim da história. A opção é única: se quisermos conciliar os interesses de nossa vida, precisaremos ser vigilantes para não nos enganarmos nas escolhas e corajosos para recomeçar sempre que for preciso. E jamais abrimos mão do essencial. O que é essencial para a sua felicidade?
Considero importante identificarmos as razões para vivermos alegres. Não para viver inebriados, esquecendo-nos do mal que possa estar no mundo, mas para poder dar um impulso à nossa vida que tem, com certeza, nos oferecido coisas boas, as quais a velocidade não deixa contemplar. O sorriso, o choro, a simplicidade das crianças e os momentos de reflexão são boas formas de podermos valorizar a vida e apreciar o que de bom vai passando por nós. Não percamos mais tempo a correr sem destino certo. Andemos com mais calma, apreciemos mais a paisagem e quando chegarmos ao ponto determinado, veremos que a alegria da vida não está na chegada, ela foi distribuída durante o caminho. Se formos muito depressa, faltará tempo para recolhê-la.
A boa notícia que lhe apresento hoje é que ainda há tempo... Há tempo para mostrar quem somos sem temer a reação dos outros. Há tempo para cantar, dançar e brincar com as crianças.
Há tempo ainda para um bilhete no café da manhã, um telefonema inesperado durante o dia só para dizer: “Te amo”.
Há tempo para despertar o que talvez tenha ficado quieto por anos a fio. Para contemplar o pôr-do-sol, para molhar os pés na água do mar, caminhar descalço na areia da praia sem ter hora marcada para chegar. Há tempo para ser feliz e hoje é o tempo!
Reflexões:
1. Está faltando tempo para que em sua vida?
2. No seu dia a dia há tempo para Deus? E para sua família?
Espiritualização Reunião 31.03.09
Como todos nós sabemos, somos seres totalmente pecadores. A cada instante, a cada piscar de olhos, cometemos nossos deslizes. O pecado original deixou em nós uma raiz muito profunda do mau. O pecado é tudo aquilo que não vem de Deus. Pecamos quando restringimos as leis dos Mandamentos e fazemos Deus descontente com os seus filhos.
Em 1Cor 3,16-17, São Paulo nos ensina que somos templos vivos do Espírito Santo, ou seja, o próprio Deus mora em nós. Vamos partir para um exemplo mais simples: Nós quando recebemos uma visita em nossa casa, tentamos mantê-la limpa, para que todos os visitantes possam se sentir confortáveis e satisfeitos. O mesmo deve acontecer com nosso Pai Celeste, quando O recebemos através da Eucaristia ou em nosso dia-a-dia, devemos manter o nosso corpo, que é Templo do Espírito Santo, limpo de toda sujeira vinda do demônio. Essa sujeira como todos sabem é o pecado. Mas como posso cuidar do meu corpo, que é Templo do Espírito Santo?
É através do Sacramento da Confissão que fazemos uma verdadeira 'faxina' em nosso interior. Vamos agora saber um pouco mais sobre esse Sacramento tão importante. O Sacramento da Confissão é um Sacramento de Cura (junto com o Sacramento da Unção dos Enfermos), através dele obtemos o perdão de nossos pecados por maior que seja.
Mas para obter esse perdão, existe condições importantíssimas que sem elas nenhum pecado pode ser absolvido: o arrependimento, o exame de consciência e o propósito. O arrependimento é quando estamos convincentes de nossas faltas, ou seja, temos toda certeza que erramos e não deveríamos fazer o que fizemos. O exame de consciência é quando estamos conscientes de nossos pecados. Devemos sempre antes do Sacramento, realizar em ritmo de oração um exame de tudo o que fizemos de errado desde a última vez que recebemos o Sacramento.
O propósito é quando, saímos do Confessionário, decididos de tentar não cometer os mesmos pecados que foram cometidos e que nos arrependemos. Essa condição é muito importante, pois não adianta nada nos arrependermos e cometermos os mesmos pecados. Devemos buscar a Santidade que Jesus pediu a todos.
Existe uma dúvida que vive na cabeça de muitos fiéis: Por que devo confessar-me com o sacerdote, se posso diretamente me confessar com Deus?
A resposta é bem simples, o próprio Jesus deu a seus apóstolos o poder de perdoar os pecados: 'Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.' (Jo 20,23). Os sacerdotes que perdoam os pecados nos dias de hoje, são instrumentos de Deus para que seus pecados sejam absolvidos. É o próprio Deus naquele momento dizendo a você: 'Meu filho, os seus pecados estão perdoados. Vá em Paz!'
O cristão tem um compromisso com a Igreja muito importante: deve-se confessar pelo menos uma vez por ano. Esse compromisso que falo é um dos cinco mandamentos de nossa Igreja. Tudo o que você leu serve para que você saiba e encontre na confissão a cura dos seus pecados.
É lindo e agradabilíssimo para o cristão sair do confessionário com o coração leve e pronto para começar tudo de novo. Pode ser comparado a um vaso que foi quebrado e restaurado novamente, e dado a ele um brilho novo de alegria e vida em Cristo Jesus.
Espiritualização Reunião 24.03.09

e isso é um erro. Existem outros tipos de morte. E nós precisamos "morrer todo dia". A morte nada mais é, do que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro. Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar o suficiente para fazer as provas. Quer ter um bom relacionamento? Então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinhos, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém.
Enfim, todo processo de evolução exige que matemos nosso eu passado, inferior. E qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso. Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que ser ou para o que desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, hibridos, adultos "infantilizados". Podemos até agir, muitas vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós adultos, como brincadeira, vitalidade, criatividade, etc.. Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar pensamentos infantis, para passarmos a pensar como adultos. Quer ser alguém (lider, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluido? Então perceba o que você deve matar em si, ainda hoje, para que nasça o ser que você tanto deseja ser. Pense nisso e morra! Mas não se esqueça de renascer melhor ainda!
Espiritualização Reunião 10.03.09
Dijanira - Missionária da Comunidade Canção Nova, em Fátima, Portugal -
Quem recebe um dom, recebe também a tarefa de cuidar dele e de fazê-lo frutificar. É natural que seja assim. Quando recebemos um vaso com flores, precisamos cultivá-lo para que continue florido.
Da mesma forma, um filho que nasce traz alegria ao lar, mas precisa de cuidados para crescer e tornar-se homem.
Ser mulher é um dom, uma escolha de Deus, que não diminui nem exalta a vocação humana, mas, justamente por ser dom, traz em si a tarefa de corresponder à missão que lhe é confiada.
O saudoso Papa João Paulo II, em sua Carta às Mulheres, diz que pelo simples fato de sermos mulheres, com a percepção que é própria da feminilidade, enriquecemos a compreensão do mundo e contribuímos para a verdade plena das relações humanas.
Enriquecer a compreensão do mundo e contribuir para a verdade das relações humanas é uma tarefa possível para a mulher que acolhe o dom recebido do Criador. Acredito que a feminilidade, se colocada a serviço do mundo, dá um sentido mais suave às realidades duras que a humanidade inevitavelmente enfrenta. Pois é próprio da mulher gerar vida, harmonia e beleza onde está. Também diz do seu instinto amenizar a dor, incentivar, dar conselhos, acolher e lutar por aquilo que acredita. E isso diz da sua natureza, é dom do Criador.
A meu ver, não há como igualar o dom e a tarefa da mulher com o dom e a tarefa do homem, são realidades profundamente distintas e igualmente enriquecedoras para o desenvolvimento sadio da sociedade, mas uma não substitui nem se iguala à outra.
Reconhecer e assumir essa realidade, já é um grande passo para a realização plena de cada um como pessoa criada e amada por Deus. Essa atitude gera gratidão – e quanto mais gratos nos sentirmos, tanto mais podemos colaborar com o projeto de Deus, tanto em nossa vida, como na vida dos outros.
Acredito que a gratidão expressa pode ser um bálsamo para aliviar muitas dores. João Paulo II, que sempre exaltou a dignidade da pessoa humana, expressou seu reconhecimento e gratidão às mulheres de todo mundo, na sua carta escrita e publicada em 1995. Suas palavras revelam o dom e apontam a nobre tarefa feminina; parece-me oportuno revê-las:
“Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.
Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.
Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância.
Obrigado a ti, mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do mistério.”
Reconhecer quem realmente somos e viver de acordo com a nobreza da vocação que recebemos pode ser a forma mais original de celebrar o dom e a tarefa de ser mulher.
Reflexões:
Para as mulheres: Como tenho assumido o dom e a tarefa de ser mulher?
Qual o valor que tenho dado à minha vida na condição humana de mulher?
Para os homens: Qual é a minha contribuição, na condição humana de homem, para que as mulheres sejam tratadas com dignidade e respeito em nossa sociedade?
As minhas atitudes em relação às mulheres refletem o comportamento de um homem cristão?



